segunda-feira, 4 de outubro de 2010

1. A vida não é fácil; acostumem-se a isso.

2. O mundo não está preocupado com a vossa auto-estima. O mundo espera que vocês façam alguma coisa útil por ele antes de vocês se sentirem bem convosco próprios.

3. Vocês não vão ganhar 5000 euros por mês assim que saírem da Universidade. Vocês não serão directores de uma empresa com carro e telefone à disposição, antes de terem conseguido comprar o vosso próprio carro e telefone.

4. Se vocês acham que os vossos professores são rudes, esperem até terem um chefe. Ele não vai ter pena de vocês.

5. Vender jornais velhos ou trabalhar nas férias não está abaixo da vossa posição social. Os vossos avós têm uma palavra diferente para isso: a “isso” chamam oportunidade.

6. Se vocês fracassarem, a culpa não é dos vossos pais. Por isso não os culpem dos vossos erros, aprendam com eles.

7. Antes de vocês nascerem, os vossos pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagarem as vossas contas, lavarem as vossas roupas. Antes de quererem salvar o planeta para a próxima geração, desejando consertar os erros da geração dos vossos pais, tentem limpar o vosso próprio quarto.

8. A vossa escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas vocês não chumbam mais de um ano e têm tantas chances quantas vocês precisarem até acertar. Isto não tem nada a ver com a vida real. Se pisarem o risco, são despedidos… Façam bem à primeira!

9. A vida não está dividida em semestres. Vocês não terão sempre os verões livres e é pouco provável que os outros empregados vos ajudem a cumprir as vossas tarefas no fim de cada período.

10. A televisão não é a vida real. Na vida real, as pessoas têm que largar o “barzinho” ou a boîte e ir trabalhar.

11.Seja simpático com os “estudiosos” – aqueles estudantes que muitos julgam que são uns idiotas. Existe uma grande probabilidade de vocês virem um dia a trabalhar para eles.


Bill Gates.



Denominam de 11 mandamentos de Bill Gates, mas preferi não denominar assim o texto, mas postei por valer muito a pena ser reproduzido, afinal é muito coerente.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dúvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Dúvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.
William Shakespeare

segunda-feira, 21 de junho de 2010

DA OBSERVAÇÃO

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

Mario Quintana - Espelho Mágico

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A arte de viver

A arte de viver
É simplesmente a arte de conviver...
Simplesmente, disse eu?
Mas como é difícil!


Mário Quintana - Velório sem defunto, 1990

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o Índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.



Oswald de Andrade

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Simultaneidade

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco ?
- Não, sou poeta.


Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo (Poesia Completa, p. 535)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Canção do Amor Imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.


Mário Quintana

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Só de sacanagem.

Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas qterá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança será posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? é certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mintira do maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. "Não roubarás!", "Devolva o lápis do cologuinha", " Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha ouvido falar, e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: Esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mias honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!"
E eu vou dizer: " Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos." Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre ético e o escambal.
Dirão: " é inutil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!"
E eu direi: " Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal! "
Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.



Elisa Lucinda

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigos do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-se-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe- d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
é outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Textos extraío do livro "Bandeira a Vida Inteira" Editora Alumbramento - Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

Manuel Bandeira

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ódio no querer

Eu odeio não querer ficar assim e não poder
Não posso porque sempre quero te ter
Quero te tocar e te ver,
Eu não sei o que acontece, mas sempre quero você.

Isso independe do dia ou do local
Eu sempre te quero e isso para mim é normal
Normal e inevitável,
Esse querer para mim é incomparável

Incomparável, inevitável e incompreensível
Por você eu sou capaz de fazer o que parece impossível
Mas tem horas que isso é tão banal que me faz odiar você

Conto os dias, horas e minutos até o momento de te encontrar
Quero te acariciar e tudo que tenho de melhor te dar
E isso que me faz não entender, e também faz aumentar esse ódio no querer.



Vítor Vieira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A lembrança

Lembrava-me como tudo aconteceu
Lembrava dos dias e das noites
Das alegrias e das dores
E de tudo que era meu

Lembrava da felicidade,
Da tristeza
Tinha toda capacidade,
Mas me faltava certeza.

E hoje, eu não sei o que aconteceu
Vi-me feliz e voltei a sorrir
Recuperei parte do que sou eu

E me lembrei o quanto é bom estar aqui
Pois eu só me lembrava de que era feliz
Mas não lembrava como


Vítor Vieira